27 maio 2010

O Café

Numa daquelas manhãs de outono, de sol embaçado e quente, porém ameno, tive um deja vu.  Um deja vu temporal – se é que posso chamá-lo assim sem cair num pleonasmo daqueles! Parecia, ao sair à rua, que eu estava em outro tempo, numa outra época. Embora eu fosse o mesmo, o tempo era outro. Senti-me há uns vinte e cinco anos. Quase me vi, com a camiseta do ginásio e a mochila emborrachada e colorida apoiada em apenas um dos ombros, atravessando a rua à minha frente.

Sentei-me em um café, na calçada, para conferir uns relatórios – estava a caminho do trabalho após uma visita ao médico e, como ainda era cedo, eu tinha alguns minutos para saborear aquela atmosfera. Feliz, por não ter doença alguma – eram apenas bobagens aquelas sensações no coração,   eu em nada pensava, apenas sentia. Enquanto tomava o café, dei uma rápida organizada na pasta que carregava, conferi alguns dados no meu moderníssimo celular/computador e fixei, em seguida, minha atenção àquele tempo, que de passagem por este tempo, estava.

Terminei o capuccino, que por sinal estava delicioso – cremoso, adoçado no ponto e muito, muito leve. Recolhi “minhas coisas”, respirei fundo, levantei com certa relutância, e saí, já saudoso daquele momento, e daquele dia, que aos poucos desvaneceriam na turba do tempo.


29/04/10

3 comentários:

R.S disse...

Curvatura tempo-espaço... fui lá e voltei sem nem ter ido!! Sensação. Sem ação. Gostei!!!

Anônimo disse...

Delicioso Blog e que Café maravilhoso!
Belo trabalho também na CBJE.Acompanho sempre.

Um abraço.

Lívia (Liv´s de Lórien/Liv´s From Lórien) disse...

Olá para todos! Obrigada pelos comentários e por terem gostado! Abraços!