Terça-feira, Outubro 20, 2009

"Coração-Navio" aportando em Minas...

Poema "Coração-Navio" (postado há tempos no blog) foi um dos selecionados no concurso "Pão e Poesia, em qualquer esquina, em qualquer padaria", de Belo Horizonte.


Os poemas serão publicados em saquinhos de pão e distribuídos em padarias da cidade.


http://paoepoesia2009.blogspot.com/

Domingo, Agosto 23, 2009

VERMELHO-MUNDO

Foto: X-Ploring (Lomografia)


Árida terra
Esquecida no tempo
Varrida pelo vento


Cor sangue no céu
Solo vermelho-mangue
O olfato nos tange,
às raflésias de Bornéo.


Olfativa miragem
na seca mareagem
Parosmi-a-gem.


Olhar de sol
queimado
Coração ardendo
desolado
Corpo de terra
maculado


Derramam-se gotas
no duro chão.


Salgadas de dor
Reluzentes de fervor
Abaladas pelo amor


Transtornadas em flores,
parem rosas das dores.
Contrastes alvos de vida
no eterno retorno das
circunstâncias...


jul./2009


Quarta-feira, Julho 22, 2009

Memórias Marilienses de “aventuras”: festa no campus e passeio de caminhão-baú


Parece que foi ontem. Não me sinto tão velha! Na verdade, sinto que faz muito tempo! Embora eu continue não me sentindo tão velha! Mas, a despeito do meu sentimento em relação à passagem do tempo versus meu sentimento acerca de meu estado físico (velha ou moça, não importa); resolvi escrever contando as “aventuras” que vivi na faculdade – pois já estou começando a esquecê-las!

Esta foi uma primeira pequena aventura, mas que para mim, garota ingênua de 18 anos - todos os quais vividos numa cidade de menos de um terço do tamanho de Marília, foi um evento no mínimo, inusitado.

Em 1990, no primeiro ano da faculdade, eu e mais três colegas – duas da minha sala, e uma de outro curso, fomos à uma festa noturna no campus promovida pela própria faculdade, aonde haveria uma performance teatral e uma banda, tudo ao ar livre.

Como desde muito jovenzinha eu era uma apreciadora das artes em geral (apesar de viver na caipirice do interiorzão de São Paulo), a encenação, ali, tão próxima de nós, e depois a banda – esse mix de arte e balada foi de uma grande importância para mim! Finalmente eu estava vivendo! Com os meus dezoito inexperientes anos eu estava começando a viver! (Vida sem arte não é viver...)

Terminada a apresentação da banda, enquanto esta guardava seus apetrechos num caminhão baú de médio porte, ficamos numa pequena turma – cinco garotas e 3 garotos bonitões da faculdade de Medicina conversando e enrolando o tempo. Quando nos demos conta, já era quase meia noite e o último “buzum” para a cidade provavelmente já teria passado! Estávamos os oito a pé – até mesmo os bonitões-futuros-médicos! Pois, eu e minhas colegas unespianas estudantes de Biblioteconomia, e Fono, bem como a quinta garota - que não sei quem era e nem o que estudava; éramos, com inclusão desta última, suponho eu, todas durangas-sem-carro, e sem-namorados (as) motorizados.

Como voltaríamos para a cidade?

Enquanto caminhávamos do local da festa em direção ao portão da faculdade, discutindo como iríamos embora, alguém lembrou-se de que o caminhão da banda ainda não havia saído do campus. Voltamos e resolvemos pedir carona ao motorista!

Entramos todos dentro do caminhão e nos acomodamos entre as caixas de som e os demais badulaques da banda. Quando a porta se fechou: escuridão total! Não enxergávamos um palmo à frente do nariz! E lá fomos nós rumo à cidade (assim esperávamos!) nos equilibrando em cada chacoalhada e curva por onde ele passava.

Calma, calma, não fomos sequestrados pelo motorista! Realmente ele nos levou para a cidade, nos deixando em frente ao teatro municipal. Aberto o caminhão, fomos descendo um a um sob os curiosos olhares de alguns transeuntes.

De lá, decidirmos ir até uma outra festa, numa das repúblicas custeadas pela Unesp, aonde morava uma colega estudante de Biblioteconomia também. Com exceção da moça desconhecida, que pegou carona a pé conosco até a rodoviária, aonde pegaria um ônibus para São Carlos para visitar seu namorado (ela tinha namorado!), fomos todos até a festa. A pé, claro. Pelo que me lembro, um dos bonitões da Medicina não chegou a entrar, talvez por achar o local unespiano em excesso...

Não me recordo o nome do bairro aonde ficava essa república, só de que andamos bastante e fazia uma noite fria, e o local ficava próximo à praça do sapo, aonde parece que havia um enorme sapo de cimento. (Acho que vi o tal sapo, mas não posso afirmar com certeza, talvez tenha somente imaginado que o vi...).

E lá ficamos nós na festa. A casa era imensa, praticamente sem móveis. Deviam morar umas oito pessoas ali. Tomamos vinho, comemos mandioca cozida, rimos e nos divertimos muito. Alguns outros participantes que não nós seis, fumaram maconha. Eu, certinha e careta não vi e nem senti o cheiro da erva queimada! Só fiquei sabendo depois (admirada!) que havia fumantes de maconha por lá!

Findada nossa animação, com o sono batendo, fomos os seis embora, a pé. Todos me acompanharam até o pensionato aonde eu habitava e continuei habitando por todos os quatro anos de curso, na rua Álvares Cabral, número trezentos e pouco, no centro.

Os bonitões da Medicina, amigos de uma das meninas, acho que só os vi mais uma ou duas vezes. A moça desconhecida do namorado são-carlense (ela namorava!) nunca mais a vi também. Dela, lembro-me que senti uma espécie de inveja e admiração pela sua capacidade e coragem de ter um namorado e ainda viajar a noite para ir encontrá-lo no fim de semana – coisa que estava há anos luz de minha infantil e gauche existência de dezoito anos – eu, que ainda sequer havia experienciado a mais simples e natural expressão do desejo romântico-sexual: o beijo...

Jun/2009

Domingo, Junho 21, 2009

Sem Rótulos



Pense em algo.
Pense no seu avesso,
Pense no seu contrário...
Desconstrução.

Domingo, Junho 07, 2009

Filme: O Leitor


Assisti recentemente ao filme “O Leitor”, e, a despeito da Kate Winslet ter ganhado o Oscar, senti uma grande vontade de assisti-lo (claro que principalmente por ela, independente da premiação, não posso mentir! hehe) pelo tema envolvendo amantes e leitura.

Não chorei, como algumas pessoas me disseram que o fizeram, mas, realmente o filme ficou na minha mente.

Kate está magnífica no papel da alemã sem instrução, tosca, rude, solitária e complexa ao mesmo tempo. Seu amor, ou seja lá o que for que ela sinta pela leitura e pelos livros me intrigou bastante. Ama romances mas não sabe ler. E, apesar desse interesse vital, não procura aprender a ler por grande parte de sua vida, preferindo que leiam para ela – mas, simultaneamente tem vergonha de não o sabê-lo, escondendo tal segredo a ponto de assumir uma culpa bem maior do que a que verdadeiramente lhe cabia durante o julgamento por ter sido guarda da SS. nazista. Loucura? Não sei, sinceramente! Penso que – numa análise talvez simplista (porque não?) e especulativa, seria a vergonha de não saber ler associada a um iminente e tardio sentimento de culpa?!

Mas, motivações da personagem à parte, o filme é lindo! A relação dos dois amantes entremeada de leituras é fascinante!

A outra questão que surge, desta vez relativa ao “menino” - seu comportamento durante e depois do julgamento de sua ex-amante nos impele a pensar se ele era simplesmente um covarde, ou tão sensível e apaixonado a ponto de respeitar o segredo da sua amada?! Ou ambos, talvez?

Arrependeram-se os dois – o menino e sua amante, das suas controversas decisões?

São por meio desses questionamentos que o filme se fixa em nossa mente....e alça a leitura e o ato de ler a uma onipresença em todo o filme; sendo, junto com os amantes, um terceiro personagem principal com voz ativa nas vidas dos mesmos.

Para quem ama, e para quem ama os livros e a leitura – um belo e tocante filme!


O Leitor (The Reader). Elenco: Kate Winslet, Ralph Fiennes, Bruno Ganz, Alexandra Maria Lara, David Kross. Direção: Stephen Daldry. 2008.

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Sem Rótulos

A arte que não ousa é pássaro morto.

Segunda-feira, Maio 11, 2009

INSÔNIA (brainstorm)

Quase adormeço. Quase. Mas o cheiro dela. O cheiro dela não me permitia fazê-lo. Suor e óleo de amêndoas. Inebriante. Fêmea. Pele doce. Morena e firme. Doce. Mistura agridoce e selvagem. Indefinível. E tão simples. Tão fácil. Tão difícil. Fêmea, e só. Complexa e abrangente. Desde a mais reles e tosca, à mais sublime e erudita. Fêmea. Impossível dormir. Naquele profundo oceano de sentidos, minha pele ardia. E a queria. Mais uma vez. Aturdido. E querendo. Sempre o querer. O profundo possuir. O penetrar. O despir. O gozo simples revestido. De quê? Do avesso exposto. Ah! O interior! O que há lá dentro? Queremos saber! Ver! E conhecer, e sentir e tocar! Mais uma vez. E mais uma vez. E mais uma vez! E sempre mais. O Fim? Parece não ter. Mas tem! Tem! Mas antes, mais uma vez!

Impossível dormir! Pensava na manhã de problemáticos dias úteis que me aguardava. E me reservava a realidade do mar de automóveis, pessoas, suores, mal-entendidos, entendidas e surpreendidas notícias do mundo. Doenças. Sujeira. Jardins. Flores. Água. Comidas. Cheiro e suor. Sempre. E a hora do adormecer novamente.

Ligo pra ela. Pro meu sono devolver. Ela não quer. Nem com rosas vermelhas à moda antiga! Ela quer ler. Não a mim. Livros vagos. Palavras de sedução não a convencem. Ação ela não permite mais. Ela não quer! E minha insônia continua. Penso em rosas de sangue. Nos espinhos que arranham e rasgam a pele. Penso em nós, banhados em sangue.

Sem perceber, adormeço. Sonho com amor. Amor. Sempre o amor. Amor é para os fortes. Que aguentam seu peso e seu tranco. Tranco, sim! Ele te derruba pelo sangue. Pelas rosas de sangue tatuadas na pele. Que arranharam meu corpo. Meu sexo. Minha mente. Insônia! Que arranham meu sono! Sono entrecortado. Sono sem descanso. Sono que joga o corpo no chão. E pisa.

Adormeço docemente pela manhã. O dia não é útil! Minha mente descansa e o corpo esquece da luta, dos arranhões. Livra-se do sangue. Suturados estão os rasgos da pele. Cicatrização. Benção da água morna. Sonhei que dormi. Sonhei que sonhei. Sonhei com rosas. Com espinhos inócuos. O sono veio. Devagar. E divagava o poeta. Sobre rosas.

10/05/09