27 março 2019

Encontro


Pelas minúsculas sardas da sua pele alva mapeei seu corpo.

De canto de olhos espiei sua mente.

Num repente singular, me perdi na cascata dos seus cabelos de fogo,
e por baixo deles, inusitadas tranças me receberam.

Despertados pelos seus beijos, meus sentidos se encantaram.

Guiou-me seu corpo esguio às águas profundas das concepções.

Confundindo-a com Freya, pensei que do encanto o amor viria,

Mas sereia que era, desapareceu ao amanhecer,

Restando o doce eflúvio de sua presença em meio às ideias perdidas.




26 e 27/03/2019

10 dezembro 2015

A Vida Sonhada dos Poetas






http://liviaportozoccoescritora.com.br/a-vida-sonhada-dos-poetas/ 

Ilustrações by Danieli Hautequest





A Vida Sonhada dos Poetas está disponível em formato Impresso (Clube de Autores),eBook (PDF ou ePub – Hotmart) e Kindle (Amazon).
 Todo o valor arrecadado com as vendas será revertido em doações à Protetores e ONGs de Ribeirão Preto que resgatam e cuidam de animais abandonados.

23 julho 2014

Aparição

Se aparecesses no meio da noite
Com teus cabelos revoltos
Teus olhos claros
E tuas tatuagens

Querer-te-ia com certeza
Sem receios ou remorsos
Quereria tua língua e 
Tua linguagem
Teu gosto e teu cheiro
Teu corpo e tua mente

Pois serias apenas mais um sonho
Como tantos que tenho sonhado
Sem consequências  quaisquer ou insistentes reticências

Mas se surges no meio do dia
Não posso querer-te, bem sabes.

À luz do dia teu amor não me responde, pondo-me em desconfortável  vereda,
Trilha que não quero seguir.
Descaminho...

Passos ao largo de ti.


Abril/14

06 dezembro 2012

Para Gonçalves Dias

Esta semana recebi um e-mail sobre um projeto que pretende reunir mil poemas para Gonçalves Dias. Assim, li alguma coisa sobre ele e escrevi o poema abaixo. Como só estou conseguindo escrever sobre amor (principalmente frustrado), um episódio da vida do poeta, em que ele perde seu grande amor,  me inspirou. Escrevi ontem, correndo:



Não lamentes amigo


Caro amigo, não lamentes o amor perdido.
Perdeste-o sim, porém não por desleixo teu,
Perdeste-o pelo preconceito desmedido,
Perdeste-o pelo respeito que era só teu.

Caro amigo, não lamentes o amor perdido.
Fizestes aquilo que o momento pediu,
Respeitastes o apreço àqueles por ti escolhidos,
Mostrastes mais força que o desejo varonil.

Caro amigo, não lamentes o amor perdido.
Decidistes o que na época era o melhor a fazer,
Apesar de o homem em ti, tornar o poeta comedido,
Apesar de a razão em ti, impedir o amor de colher.

Caro amigo, não lamentes o amor perdido.
O que fizestes está feito, mesmo que  incompreendido.
Escolhestes por teu senso de homem, não de poeta,
Agora arcarás por tua escolha, vivendo um amor asceta.



05/12/12