23 dezembro 2007

Metapoesia

“La Metapoesía es una poética onírica. Metaonírica. Es una ficción paranoica del decir. La irracionalidad del deseo en la escritura. La psicosis de la palabra en el lenguaje: Metalenguaje. Es una necesidad analítica en el poema: Metapoema. El Poema no existe sólo existe el Metapoema” . (1)


Já há algum tempo que quero dizer algo sobre Metapoesia.


Metapoesia é um assunto que me atrai. E muito. Escrevi metapoemas sem saber que eram metapoemas (O Nascimento da Poesia e Poesia Explícita).
Recentemente, há uns 2 ou 3 meses atrás, lendo uma crônica do Ferreira Gullar, me deparei com a palavra Metapoesia.


Por não conhecê-la, me achei uma total desinformada; mas, no entanto, ao mesmo tempo, percebi que tudo era apenas uma questão de nomenclatura, de rótulos, pois a metapoesia já havia nascido dentro de mim, mesmo que eu não soubesse seu nome. (que romântico!)


Desde que a senti em mim, a nomeei como poesia sobre poesia.


Pois bem, poesia sobre poesia ou metapoesia, ou ainda , “a poesia por ela mesma” (2) é uma necessidade natural que se revela e se impõe no fazer poético, metapoesia não é uma escolha, é uma revelação! É o devir onírico da poesia...!


Em termos mais didáticos e menos poéticos, podemos dizer que a metapoesia desvela ao leitor, o processo criativo do autor. Isso pode ser demonstrado claramente nos metapoemas Autopsicografia e Isto de Fernando Pessoa, sendo o primeiro, um metapoema bastante conhecido. Vejamos abaixo, os dois metapoemas:



Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor.
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé.
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Segundo William Lial (3), acontece nestes dois poemas , “(...) o fenômeno literário da inter-relação autor/texto/leitor, que se trata da união entre a mente criativa do autor, somada a sua produção em texto (que já é uma interpretação da sua verdade), mais o complemento do leitor, que contribui com o texto através da sua própria interpretação.”

Assim, a metapoesia proporciona uma “viagem” metalingüística à mente do autor; aproximando este do seu leitor de maneira mais íntima, compartilhando, além do seu poema, o seu processo criativo.


Notas e Referência:

(1) Escuela-Movimiento Internacional Metapoesía (MIM): http://metapoetas.blogspot.com/

Um comentário:

Rubens Albuquerque disse...

Gostei muito desse seu comentário sobre Metapoesia Lívia, e em especial do exemplo que utilizou, de Fernando Pessoa. Muito bem escolhido! O texto é particularmente informativo e agradável de ler, e o exemplo acabou por transportar-me longe no tempo, incitando emoções fortes há muito esquecidas na memória. Gostei muito!