Blog sobre poesias, poemas, criações literárias, gênese poética, cinema, livros, e, sem querer, "a vida, o universo e tudo mais....."
15 maio 2007
Terceira Galáxia Poética
Construtos poéticos arraigados
na mente.
Arraigados na pele,
no cerne e no cérebro.
Poesia na carne!
Poesia na veia!
Madeleines afogadas no chá,
pisoteadas por uma mente
sem resquícios de lembranças...
Poesia Bruta!
Poema seco!
Num beijo salgado.
Um olhar surreal
para a poesia nascida
da secura do coração
que aguarda a temporada
das águas...
A coragem e a covardia
O medo e a insegurança
Num poema insano!
Em uma vida sem danos.
Uma vida.
Poucos planos.
Poesias que emergem.
Versos que se submetem
a explicitar a vontade
de um poema sujo
de um poema pesado
de um poema vigoroso,
pomposo, falacioso...
Por que não?!
Poesias, poemas, versos,
rimas, frases...idéias.
Círculo de vícios e tônicos.
Vigor da mente
que sente
a poesia latente!
Poesia que escuta
o coração ladrar
o corpo falar
a mente querer.
Poesia que bate,
que late,
e abriga
a vida nascida
e vivida pelo andar
da poesia surgida!
Poesia precoce!
Que se alimenta do leite materno
em terno aconchego.
No peito cheio, morde
e vibra, suga e se deleita!
Aproveita e adia
o crescimento da poesia premente!
Abrupto poema!
Nascido da primeira frustração
do primeiro desamor experienciado
em alienado universo.
Aos poucos exilado,
em ilhada literatura.
Profícuos poemas encontrados e
escritos à mão!
Poesia que tarda, que falha,
que amarga a boca
em escatológica sinfonia
com o desgaste da esperança.
Mas que cria e recria
a vontade da escrita.
E restaura a construção
do Poema Primal,
cuja subjacência conserva
em doce berço de inocência,
a vital intuição da escrita.
07.02.07
09 maio 2007
Terceira Galáxia Poética
COMO NÃO PENSAR
Para não pensar,
Escrevo e penso.
E deixo transbordar o que de mim me incomoda
O que em mim não existe
O que em mim,
Persiste.
Para não pensar
Transformo sentimentos em palavras
Sensações em versos
Obsessões em poemas
Dou forma aos sentimentos para não pensá-los
Construo poesias para não sucumbir,
Para não cair, para não desmontar
A milimétrica edificação da satisfação
(e da sanidade?)
Poetizo o karma
Amo pelos versos
Satisfaço-me na concepção das proles
E na “dura escritura”
Pensada para não pensar,
E salutarmente despejada no papel.
(salve o papel, a caneta e os computadores!)
Jan.e fev./07
20 abril 2007
Livros Viajantes
Mas o que são eles? Como o próprio rótulo diz, livros que nos fazem viajar...
Os meus preferidos são os de realismo fantástico (tipo Italo Calvino), os propriamente fantásticos (Tolkien), e os que não são nem uma coisa nem outra, mas que são pura literatura das boas, e igualmente viajantes , etc., etc.....
Listarei nesta seção os “livros viajantes” que já li e “viajei”.
Vou deixar também minhas impressões sobre cada um deles, mas sem consultar nenhuma fonte. Escreverei o que eu lembrar para mostrar que eles realmente me marcaram muito! (boa desculpa para uma “preguicinha” de pesquisar algo sobre os mesmos!)
Mas, brincadeiras à parte, acho realmente que, se nós nos lembramos bastante de um livro, é porque ele nos marcou, tanto por termos gostado dele ou por tê-lo odiado (quanto a este último, para mim será difícil escrever sobre algum, pois quando não gosto, não leio até o fim!)
No meu caso, os livros sobre os quais escreverei, me marcaram pelo seu encantamento literário e poder de proporcionar uma bela viagem!
A Montanha Mágica, de Thomas Mann
Bom, esse livro não requer apresentações, é um robusto clássico da literatura mundial.
Foi o primeiro livro de número avantajado de páginas que eu li. Minha primeira empreitada nesse tipo de leitura: 700 e poucas páginas. Li nuns dois meses e me encantei por completo!
Achei que Thomas Mann seria uma leitura difícil, mas não foi. Foi uma leitura completamente acessível para uma não-intelectual, mas medianamente voraz leitora como eu.
A história se passa em um sanatório para tuberculosos em Davos, na Suíça, antes da primeira guerra mundial.
Amei o personagem Hans Castorp! Acho meio brega dizer que nos identificamos com tal fulano-personagem, mas, realmente me identifiquei com ele.
Sua perfeita adaptação à vida do sanatório, relutando em deixá-la mesmo já estando curado, em detrimento da volta à sua vida de antes da doença foi totalmente compreensível por mim.
O sanatório se constituiu para ele num universo paralelo, aonde ele pôde amadurecer intelectualmente e aprofundar-se filosoficamente dentro de si mesmo. A sua estadia lá foi uma fantástica viagem emocional, intelectual, sensorial, filosófica, metafísica, e até mesmo amorosa.
Daí sua relutância em abandonar esse ambiente, ao qual ele se encaixou perfeitamente; aonde, além de pensar e sentir, ele só tinha que seguir as regras do sanatório, às quais ele estava inteiramente adaptado.
O sanatório tornou-se um mundo de sonhos, um refúgio do mundo real, pois se percebe no começo da obra que ele não possuía muitas aptidões para a vida prática e suas futilidades, sendo mais um contemplador-pensador do que um ator.
A ambigüidade sexual do personagem também é muito interessante. E é um aspecto que surge em outras obras do autor, como Morte em Veneza e Tonio Kroger.
Enfim, é um livro magnífico! Vale a pena lê-lo!
09 abril 2007
Livros
A história se passa no Japão medieval (séc. XI) e conta a vida de Murasaki Shikibu – a mulher que escreveu aquele que é considerado o primeiro romance da história da literatura mundial: “A Lenda de Genji” (Genji Monogatari), tornando-se um clássico da literatura japonesa.
A autora, Liza Dalby, estudiosa da cultura japonesa, a partir de fragmentos do diário de Murasaki recria a sua história.
Genji Monogatari conta a história do príncipe Genji, conhecido como o “Príncipe Brilhante”, cuja gentileza, romantismo e sensibilidade encantam quem a lê, e ao mesmo tempo recria o mundo aristocrático e social japonês da época.
As cópias manuscritas da história se espalham pela capital japonesa causando imenso sucesso; chegando à corte japonesa, cujo regente, também apreciando a obra, convida sua autora para ser dama de companhia da imperatriz – o que na época era a aspiração máxima das moças da classe alta japonesa.
A história é fantástica, pois nos mostra o modo de pensar do povo japonês, suas crenças, superstições (muitas!), tradições, costumes e sua sensibilidade poética!
Uma das coisas mais incríveis é que Genji tenha sido escrito por uma mulher numa época em que escrever era privilégio somente dos homens, sendo mal vistas as mulheres que se interessavam a aprender a ler e a adquirir cultura.
“Tanto por seu conteúdo como por sua extensão e qualidade literária, Genji Monogatari é considerada uma das obras mais influentes da literatura japonesa. Muitas pessoas a consideram o primeiro grande romance jamais escrito no mundo, isto no sentido moderno da palavra. Porém, vale notar que essa asserção é firmemente disputada, tanto por experts como por amadores.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Genji_Monogatari )
Naquela época era comum as pessoas de classe alta se comunicarem por meio de pequenas poesias chamadas waka!
Assim, o livro está repleto desses poemas, que Murasaki envia e recebe. São freqüentemente usadas metáforas com elementos do tempo (clima) e natureza para simbolizar seus estados de espírito. A poesia era utilizada também para celebrar alguma comemoração ou acontecimento importante na vida da corte.
A forma da poesia Waka consiste em 5 sílabas no 1º verso, 7 no 2º, 5 no 3º , 7 no 4º e 7 no 5°.
Os "waka", "poema" em japonês, foram desenvolvidos por aristocratas no século VI e consistem em estrofes de 37 sílabas, um pouco mais longos do que o tradicional "haiku" (conhecido como haicai fora do Japão), que é uma forma posterior. É, na realidade, uma waka truncada, de 5 sílabas no 1º verso, 7 no 2º e 5 no 3º.
Vamos à algumas Waka escritas por Murasaki:
“ Enquanto a vida flui, quem lerá – esse regalo para ela cuja lembrança nunca morrerá”
“ Tare ka yo ni nagarae te mimu kakitomeshi ato wa kie senu katami naredomo”
“Quando o som dos grilos esmorece na sebe, é impossível interromper o adeus do outono, como devem ficar triste...”
“ Nakiyowaru magaki no mushimo tomegataki akino wakare ya kanashikaru kana”
Waka que Murasaki enviou para sua prima Ruri:
“Enregelado pelo frio, meu pincel não consegue desenhar para você a imagem dos meus sentimentos”.
Waka enviado por Ruri como resposta:
“Embora não flua, continue a escrever; sua dor se afastará flutuando como o gelo na água”.
Uma waka sobre o ato de escrever waka, que ilustra bem o uso da waka na época e particularmente por Murasaki: (claro!)
“Toda ocasião, todo fenômeno natural, toda emoção, acendia uma waka em minha mente”
Agora, uma waka que achei particularmente muito bonito!
Ming-gwok, um chinês por quem Murasaki se apaixonou e com quem teve um caso, enviou para ela junto com um presente – uma caixa de pincéis chineses.
O barato é que ele já estava na China, muitos anos depois de eles terem se apaixonado e, devido à precariedade do envio de correspondências da época, ele imaginou que seu presente talvez nunca chegaria às mãos dela, daí esse poema:
Feiticeiro que cruza os imensos céus, procure aquela que não posso ver, nem em meus sonhos” (lindo, lindo!)
19 março 2007
Sobre Nossas "Crias"
Bem, depois parei de pensar nisso e só fui voltar a esta idéia quando li uma frase genial de Pya Lima (as vezes Pêra, etc.....) no seu blog, sobre a concepção das proles.
No caso dela, fotografias, às quais pariu em clicks apaixonados e os libertou para o mundo a fim de cumprirem seu destino premeditado (segundo Pya).
A frase “Bendita é a Concepção das Proles” contida no texto não me saía da cabeça e, para exorcizar esse mantra perturbador que ressoava em minha mente, escrevi a poesia “Bela Prole” (que faz parte da minha Segunda Galáxia Poética).
A própria frase de Pya já é, em si, uma cria, que por sua vez, gerou indiretamente outra: esta minha poesia.
Assim, a própria cria poderá vir a dar “crias”, independente da vontade de sua mãe, ou de seu pai!
Ou seja, nossas crias podem não ter um destino tão premeditado assim...
Bela prole
concebida
Bela prole
bem nascida
Bela prole
bem criada.
Bela prole
vai crescendo,
apanhando e
aprendendo.
Desgarrando e
transformando,
libertando e
liberando.
Que tua mãe
que te gerou
Muitos frutos
ainda dê
Que teu pai
que não existe
Seja o mundo
que te pariste
De um insight
bela prole
nasceu!
Elaborando,
Bela prole cresceu!
Bela Prole
bem criada
Boa prole tb dará,
para este mundo
sem fim, concebendo,
um dia, também estará.
Inspirando e ensinando,
pela vida vai andando.
Cantando, sorrindo ou
chorando, bela prole
vai sonhando e encantando.
Do mundo
minha prole é,
para o mundo
foi parida,
e nele, bela prole morará!
Adormecida ou acordada,
na mente de alguém
fará sua morada.
Bendita é a concepção das proles!!! *
concebidas, paridas,
nascidas e criadas.
Acatadas, refutadas
ou destrinchadas,
Benditas proles,
belas ou não,
abrindo-se como
leques coloridos
pelo mundo se vão!
* frase de Pya Lima
http://pyalima.blog.uol.com.br/
Dez.2006
Segunda Galáxia Poética
Experimento a poesia,
como quem experimenta uma receita culinária.
Experimento a poesia,
como uma forma de digerir emoções.
Experimento a poesia,
como uma fuga das emoções (como já disse um poeta)
Experimento o insight, a luz, a gênese, o parto,
a elaboração, a transmutação, a transcrição!
Experimento o mergulho no oceano profundo,
e a insana sanidade da exteriorização...
Excrescências de sentimentos marginais,
em puro estado bruto!
Requerente de elaboração, dilapidação e aprofundamento;
Para serem transcritos pelo centro nervoso da escrita!
Que exterioriza, expõe e mostra!
Analisa, persegue e gera,
vasculha indícios.
Percebe o que transborda
e o que se encolhe!
Explora, observa, descortina,
Vira pelo avesso
e sente,
como requerente,
a morte da matéria.
jul./e dez.06
Segunda Galáxia Poética
O que fazer
Quando o abraço não existe
O vácuo persiste
Os beijos se perdem
E a mente insiste?
O que fazer
Quando as mãos se esvaziam
Os olhares não existem
Os caminhos se desviam
E mente e coração insistem?
O que fazer
Quando os espaços se alargam
As intimidades inexistem
Os devaneios te abarcam
E mente, coração e corpo insistem?
O que fazer
Quando a ânsia persiste
As sensações insistem
O vazio não desiste
E a não-materialização resiste?
O que fazer?
O que comer
O que beber
O que deter
O que vencer
O que correr
O que mexer
O que escrever
O que viver?
O que?
12.10.06
16 março 2007
Segunda Galáxia Poética
Da Manchúria à luxúria,
do zelo ao apelo,
somos aves sem dono.
No abandono de nosso vôo
sugamos o hálito de zéfiro
e nos alimentamos de nosso
próprio sangue.
Falta-nos o pecado e a fé,
a coragem e a sensatez,
a verdade e a paz.
Da Manchúria voamos até aqui
e aqui estamos,
aqui nos abandonamos,
aqui nos instalamos,
e aqui procuramos nossas vidas.
No bater de nossas asas,
o pó levantamos, e dele,
renascemos, crescemos,
e ao pó voltaremos.
Mas não agora!
Nós, Aves da Manchúria,
milagrosas criaturas,
nas alturas abandonadas,
às alturas condenadas!
Nosso destino aceitamos,
e nele, criaremos nosso vôo,
nossas vidas, idas,
e vindas...
No mais belo céu,
cujo encanto
em qualquer canto persiste
e existe...
Seja Ocidente ou Oriente,
Poente ou Ponente,
na História ou na Literatura.
Somos agora,
aves do céu,
e nele, nosso vôo se abrirá!
20.11.2006
Segunda Galáxia Poética
Acima de toda razão,
De todo contrato,
De todo substrato,
Eis-me aqui, intacto!
Pronto para amar-te.
Beijar-te querida, e amar-te suavemente...
Amar-te querida, e beijar-te longamente...
Além de todo extrato,
Exacto no acto,
No pulo e no gato,
Viva o substrato!
Viva a razão,
O almoço,
E a visão!
Viva o amor
Viva o beijo
Viva o abraço!
E viva o Substrato!
Viva a razão do amor que lhe tenho,
Viva a razão do amor que não podes me dar,
Viva a nossa razão,
O nosso substrato,
O nosso contato,
O nosso tato!
Viva o tudo e o nada!
Viva eu e você!
E o nosso amoroso substrato,
não-exato e sem acto!
2006 (ago. e out.)
Segunda Galáxia Poética
Inspirou-me certamente, mas não inteiramente,
o seu olhar,
a sua tez,
o seu portar-se.
Os seus modos para comigo
foram o fio condutor
do meu desassossego
e do meu ardor.
Em mim ficou o seu cheiro,
e do sentir diário desse perfume,
nasceu inodora flor.
A marca do cego vagar,
da muda fala verborrágica,
cujas palavras escorrem vãs
e desprovidas de sentido,
perante o infinito que se agiganta.
A marca da surdez eloqüente,
que assim chega aos ouvidos do amor oponente.
Inspirou-me certamente, mas não inteiramente,
a sua vida,
as suas mãos,
e a sua companhia.
Inspirou-me para amar-te e para odiar-te.
Inspirou-me para desiludir-me de ti e de mim,
do discernimento e da razão,
da vazão,
do sim,
e do não!
26.10.2006 e
12.12.2006
15 março 2007
Segunda Galáxia Poética
Dia seco.
Manhã seca.
Sol queimando.
Pelas ruas ardentes os carros passam,
correndo, desviando,
xingando, atropelando,
Querendo!
Manhã ensolarada,
cansada, suada,
encarquilhada, iluminada!
Seca.
Dia seco.
Manhã tórrida.
Sol ardendo.
Pelos paralelepípedos escaldantes as pessoas passam,
andando, correndo,
Suando, ardendo,
Querendo!
Manhã clara do brilho do sol,
dos reflexos nos vidros dos carros e
nas pedras velhas do calçamento.
Pedras quentes de outra época,
De outras manhãs...
Também secas?
Dia seco.
Manhã ressecada pelo sol de muitos anos,
anos de luta e glória,
fortunas e fracassos,
experiência e cansaço,
descanso e esperança...
Dia seco.
Manhã de fogo-fátuo bruxuleante
pelas casas antigas que ainda mantém-se,
pelos resquícios dos velhos tijolos nas novas construções,
pelos velhos cimentos, que, unindo tijolos, abrigaram
vidas que já se foram.
Pedra e massa que agora presenciam dias secos, manhãs ardentes,
dias ressequidos, manhãs carentes.
Dia úmido
Manhã fresca,
um dia....
Out.2006
14 março 2007
Segunda Galáxia Poética
Quero descobrir
os segredos
que teus olhos
indiciam
Revolver sua placidez
e fomentar
tua rebeldia
Latente.
que se sente
transbordante
dos teus
olhos.
13 março 2007
Segunda Galáxia Poética
Suspensa está
a respiração
a vida
o tesão.
Suspensos estão
o amor
a cor
a dor
o valor.
Nessa meia-vida
refrescante é a brisa
doce é o pêssego fresco
suave é o perfume da maçã
Nessa suspensão
nada de novo se planta
mas o que se colhe
se não assusta, perturba.
Não se esconde, se mostra,
e aí, assusta!
26.10.2006
Poetrix
Esse tipo de poema lembra, pelo seu formato, o haicai em sua versão ocidental, conforme explicação de Ana Maria de Souza Mello (1):
“ O haicai é um poema japonês composto de 17 sílabas que nas traduções e nos originais ocidentais, vem distribuído em três versos de 5, 7 e 5 sílabas formando um terceto. O terceto é uma característica ocidental pois em japonês estes versos vêm escritos em uma única linha vertical ou horizontal. Originalmente sem rima, que é muitas vezes acrescentada na tradução.”
Já o Poetrix é um poema composto de título e uma estrofe de três versos, um terceto, com um máximo de trinta sílabas métricas.Surgiu em 1999, com a publicação do livro TRIX – Poemetos Tropi-kais, de Goulart Gomes, premiado com Menção Especial pela Academia Carioca de Letras e União Brasileira de Escritores – RJ, em 2000.
Segundo palavras do próprio criador: “O POETRIX tem sido chamado de "anti-haicai" ou "filho rebelde do haicai". Eu diria que ele é um 'herdeiro" do haicai, pela sua forma e um "herdeiro" dos micropoemas e poemas-minuto, pelo seu conteúdo. Mas, não esqueçamos que o terceto também tem uma tradição ocidental, oriunda dos terzettos italianos, praticados por Dante Alighieri. “ (2)
Poesia é sangue e suor
É o momento maior
Mesmo que em dor menor
Nada é o amor
Sem o grande temor
Das lágrimas
07 março 2007
Poesias Selecionadas
Lembrei-me dele esses dias e resolvi colocar aqui essa poesia.
Colocarei duas traduções para o português, uma de Fernando Pessoa e outra do brasileiro Oscar Mendes.
Gostei mais da tradução do Oscar Mendes, por causa, principalmente, da repetição da palavra ANNABEL LEE , semelhante ao original em inglês.
Essa repetição torna mais trágico e triste o poema, e lindo, muito lindo!
ANNABEL LEE
trad. de Oscar Mendes
Há muitos, muitos anos, existia
num reino à beira-mar, em que vivi,
uma donzela, de alta fidalguia,
chamada ANNABEL LEE.
Amava-me, e o seu sonho consistia
em ter-me sempre para si.
Eu era criança, ela era uma criança
no reino à beira-mar, em que vivi.
Mas tanto o nosso amor ultrapassava
o próprio amor, que até senti
os serafins celestes invejarem
a mim e a ANNABEL LEE.
Por isso mesmo, há muitos, muitos anos,
no reino à beira-mar, em que vivi,
gélido, de uma nuvem, veio um vento
matar ANNABEL LEE.
E seus nobres parentes se apressaram
em tirá-la de mim: encerrarem-na vi
num sepulcro bem junto ao mar,
que chora eternamente ali.
Foi inveja dos anjos: mais felizes
éramos nós aqui.
Sim, foi por isso (como todos sabem
no reino à beira-mar, em que a perdi)
que veio um vento, à noite, de uma nuvem
matar ANNABEL LEE.
Mas nosso amor, imenso, era mais forte
do que o tempo e que a morte,
do que a própria esperança em que o envolvi.
E nem anjos celestes nas alturas,nem demónios dos mares abissais
jamais minha alma afastarão, jamais,
da bela ANNABEL LEE.
Pois, quando surge a lua, em meus sonhos flutua,
no luar, ANNABEL LEE.
E, quando se ergue a estrela, o seu fulgor revela
o olhar de ANNABEL LEE.
E junto a ela eu passo, assim, a noite inteira,
junto àquela que adoro, a esposa, a companheira,
na tumba, à beira-mar, no reino em que vivi,
junto ao mar que por ti
soluça eternamente, ANNABEL LEE.
http://umamericanoemlisboa.blogspot.com/2005/12/beira-marbeira-mal.html
ANNABEL LEE
trad. de Fernando Pessoa
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor --
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
ANNABEL LEE
Edgar Allan Poe
It was many and many a year ago,
In a kingdom by the sea,
That a maiden there lived whom you may know
By the name of Annabel Lee;
And this maiden she lived with no other thought
Than to love and be loved by me.
I was a child and she was a child,
In this kingdom by the sea;
But we loved with a love that was more than love-
I and my Annabel Lee;
With a love that the winged seraphs of heaven
Coveted her and me.
And this was the reason that, long ago,
In this kingdom by the sea,
A wind blew out of a cloud, chilling
My beautiful Annabel Lee;
So that her highborn kinsman came
And bore her away from me,
To shut her up in a sepulchre
In this kingdom by the sea.
The angels, not half so happy in heaven,
Went envying her and me-
Yes!- that was the reason (as all men know, In this kingdom by the sea)
That the wind came out of the cloud by night,
Chilling and killing my Annabel Lee.
But our love it was stronger by far than the love
Of those who were older than we-
Of many far wiser than we-
And neither the angels in heaven above,
Nor the demons down under the sea,
Can ever dissever my soul from the soul
Of the beautiful Annabel Lee.
For the moon never beams without bringing me dreams
Of the beautiful Annabel Lee;
And the stars never rise but I feel the bright eyes
Of the beautiful Annabel Lee;
And so,all the night-tide, I lie down by the side
Of my darling, my darling, my life and my bride,
In the sepulchre there by the sea,
In her tomb by the sounding sea.
http://www.culturabrasil.org/pessoaepoe.htm
27 fevereiro 2007
Primeira Galáxia Poética
Ela foi escrita no calor do rompimento de um relacionamento (no qual eu levei o fora...)
Inicialmente ela estava projetada para ser uma poesia de amor para a pessoa com quem eu estava, mas, sentindo que a relação não ia bem, minha inspiração arrefeceu.
Então, deixei a poesia começada para ver o que aconteceria com ela mais para frente...
Assim, quando do rompimento, retomei a mesma e resolvei fazer por meio dela, um exercício de amor romântico.
Pode parecer pieguice extrema da minha parte, mas acho fascinante a poesia que idealiza o ser amado!
Dessa forma, escrevi a tristeza do rompimento a partir da idealização romântica.
No meio da poesia cheguei a tentar recuar, achando que estava exagerando, pois o relacionamento não havia me deixado perdidamente apaixonada; mas, esforcei-me para concentrar-me no exercício poético do amor romântico, independente da minha relação e do fora que levei.
E saiu essa poesia.
Escrevo poesia intuitivamente, sem me apegar a regras ou às escolas literárias, assim, qualifico essa poesia como amor romântico, mas não sei exatamente se ela se encaixa nesse rótulo de acordo com a literatura poética.
Entretanto, como poesia para mim é vida, intuição e inspiração, isso é o que menos importa!
VISLUMBRES (lírica de amor romântico)
Num vislumbre vi você.
Sua visão inundou meus olhos....
Mais tarde, meus sentidos todos.
Sua presença perturbou o meu estar, o meu dizer e o meu olhar,
e a sua emanante suavidade invadiu minha vida.
A cada estar seu ao meu lado, e a cada vislumbre da sua presença,
Enlevava-se e aguçava-se a minha mente...
Num desnorteio bom, feliz, preenchido de vida, e de diárias elucidações...
Meu corpo renascia todos os dias em que nos tocávamos,
no entrelaçamento premente de nossas vidas.
E agora eu sigo o seu perfume, que me persegue junto com o gosto de mel
imanente aos seus lábios e a doçura dos seus olhos...
Pequena bússola que norteia meus sentimentos, fonte de risos e sonhos bons.
Sonhos esses, desejosamente infindáveis, como o são os sonhos dos verdadeiros
poetas!
Sonhos de amar-te, sonhos de viver-te, sonhos sonhados com você, sonhos de
poeta que quer amar a amada desejada, sonhada, idealizada!
Sonhos de poesias repletas de amor sonhado,
Poesias sonhadas repletas de sonhos de amor...
Sonhos no entanto, são sonhos....
Amores sonhados, são sonhos...
Poesias são sonhos de poetas....
... e poetas são talvez, apenas sonhadores?
Cujos sonhos a realidade dura, crua e nua suplanta...
desconstrói, derrota, abalroa, desmantela!
Então, então, então...........................................
Olhando agora, apoiado em patamares outros...
Os seus doces olhos úmidos, perdidos e carregadores de noticiosas novidades do
porvir do amor, do porvir do depois, do porvir do que vêm....
Em seus olhos cintilantes, brilhantes e grandes, vislumbro os deflagradores do
acordar do poeta!
Do despertar dos sonhos sonhados vãos, que finalmente vão-se em sonhos
perdidos e despedaçados, ribombando ao vento em busca do nada.
Abril/Maio.2006
30 janeiro 2007
Filmes
Recentemente assisti O Novo Mundo de Terrence Mallick em dvd.
É uma versão de Pocahontas, aonde um marinheiro inglês chega nos EUA, mais especificamente no estado da Virgínia, para colonizar as terras, e se apaixona pela filha do rei de uma tribo de nativos; e a princesa também se apaixona por ele.
Seria mais uma adaptação dessa história de amor e colonização da América, não fosse o modo como esse filme foi feito.
São mais de duas horas de pura poesia! O ritmo é lento, com pouquíssimos diálogos. Mas não cansa! É uma grande poesia visual, com imagens belíssimas e possuidor de um lirismo fascinante!
Li críticas em sites de cinema de pessoas que o odiaram....essa reação é esperada por parte dos espectadores comuns, acostumados à mediocridade da televisão e dos filmes comerciais.
Como li num outro lugar e concordo plenamente, apreciar esse filme exige maturidade e sensibilidade do espectador, o que inexiste na grande massa homogeneamente insensível e sem cultura que assola nosso planeta!
Mas para aqueles cuja alma anseia pela elevação estética (no sentido espiritual), poesia, lirismo e até mesmo a metafísica, eis aí um belo filme!
Filmado com luz natural, proporciona um visão realística, causando mais fascínio ainda.
A atuação da atriz que interpreta a princesa nativa é uma atração à parte, doce, pura, cristalina!
É uma linda viagem de pureza e utopia!
Site Oficial: www.thenewworldmovie.com
03 janeiro 2007
21 dezembro 2006
Sem Rótulos
14 dezembro 2006
Poesias Selecionadas
FAGULHA
Abri curiosa o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração, inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que
caracterizava as agitações me chamando
Eu queria até mesmo saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas que me circundavam,
invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz
que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos
do espaço
nu e cheio
Eu queria
ao menos manter descerradas
as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.
06 dezembro 2006
Primeira Galáxia Poética
Não massacrem as entrelinhas !!!
Elas nos fornecem o temeroso e necessário âmago.
Nossas amigas queridas, indiretas, dúbias muitas vezes...
Mas amigas que alertam e avisam.
Só não as vêem os incautos!
Poéticas inúmeras vezes, enfadonhas outras,
mas ali estão, ali permanecem, necessárias.
Não se aprende a usa-lás , usa-se – ás, somente.
Sem regras nem aprendizado... deixando que fluam ..fluam ...refluam....regurgitem....
Regozijem-se delas, mas não as massacrem com ditames dissertativos - explicativos do sentimento sentido, das emoções dissecadas, dos subtextos narrados e da banalização das metáforas!!
Não leiam tratados, como já aconselhou Rilke,
Sintam a absoluta necessidade e a despejem,
sem massacrá-las.
Não tentem aprender o ensinado,
sintam o aprendizado dentro de si.
Descobrir os segredos agregados e segredados,
subterrâneos tesouros, escondidos sob todas as linhas escritas -
palavras, frases, parágrafos, prosas e poesias....
é o abrir-se do panteão ensimesmado dos significados,
que, ensimesmando-se nas estrelinhas,
a elas funde-se, tornando-se,
escritas e entrelinhas, uma só significância,
aonde o massacre não mais ocorrerá!
2004/2005
05 dezembro 2006
Poesias Selecionadas
Estou preso a ti
Concorrente muito forte
Além de mim
Também o mar
Até o fim
Vai te esperar
O meu sentimento
Tem mais talento
Que o mar
Que quer fisgar-te com um vil arpão
E eu com o meu coração navio
Coração ardente, extremamente luzente
Capaz de cruzar continentes
E no meio de tantos povos
Plantar os ovos da semente da paixão
Do mar eu necessito
Seu banho, seu sal
Para formar um cenário tropical
Estou preso a ti, ouviu?
Com corrente muito forte
Por mais que o mar corte
Minha âncora e queira engolir meu navio
Com seus dentes com pontas de rochas-icebergs...
Sobre cascos e penhascos, sua essência se encontra em um frasco.
Feito maestro me alastro pra te colocar em um canto do mastro.
04 dezembro 2006
Primeira Galáxia Poética
Nossos hálitos não mais se misturam,
na mútua troca de gosto e fervor.
O macio dos seus lábios não mais é sentido nos meus....
Por que seus olhos azuis não procuram mais os meus castanhos?
Desfez-se nossa fêmea simbiose,
rompendo - se nossa crença no nosso frágil amor....
Por que seus olhos azuis não procuram mais os meus castanhos?
Porque talvez ambos nunca tenham se cruzado na gana da busca do amor...
Nessa gana da cegueira insistente,
Nessa gana circundante e fechada,
Nessa gana insana,
Nessa gana....
Nessa gana....
Setembro/2006
01 dezembro 2006
Livros
Terry Jones
Procurando algo sobre fadas e que ao mesmo tempo fosse comprável pela net, me deparei com esse livro. Me apaixonei por ele sem lê-lo, mais ainda talvez, num primeiro momento, porque a pessoa para quem eu pretendia dá-lo gostava de fadas e eu queria impressioná-la. (isso já faz um bom tempo!)
Acabei no entanto, não comprando-o e conseqüentemente não presenteando a pessoa ( o porquê é uma outra história...).
Mas, esse livro continua povoando meu imaginário, pois sempre gostei de coisas excêntricas e fora do comum, principalmente histórias fantásticas.
Ele foi escrito pelo ex-Monty Phyton, Terry Jones (deles, assisti “A Vida de Brian”, muito engraçado e maluco!), um mestre do humor!
Assim, resolvi colocar em evidência aqui no blog essa obra, para que talvez ela povoe outras mentes em busca de coisas literariamente interessantes e incomuns!
TERRY JONES
Temporada de caça às fadas Terry Jones, ex-Monty Phyton, escreve o diário da menina que aprisionava seres etéreos.
Mauricio Stycer
Primeira Galáxia Poética
O Poema
(para Lê)
só restou o poema...
Escrevendo-o, pude tê-la junto a mim novamente...
Pois só restou o poema.
Nada além.
O poema.
É só o que tenho.
Uma página impressa.
E essa página é ela.
É o poema.
É só o que tenho.
Preciso dele agora,
pois é só o que tenho.
O poema.
Setembro/2005
27 novembro 2006
Primeira Galáxia Poética
Para Lê
Tu poetizas
Nós poetizamos
Vós poetizais
Eu escrevo palavras
Tu as devora
Eu combino palavras
Nós as lemos
Vós me inspirais,
escrevo pra ti.
Tu me lês,
e eu poetizo pra ti.
Nós poetizamos ambas
Vós poetizais ao ler-me
Eu poetizo ao pensar em ti
E, apesar da distância,
a ponte poética da poesia
nos une na poetização
de nossas vidas,
Na combinação de nossas palavras,
Nas palavras devoradas por ambas,
Na fantasia da nossa poetização,
E na construção da nossa poética e perene união.
15 novembro 2006
Primeira Galáxia Poética
Sou homem raivoso, belicoso e poeta
Sou homem poeta, raivoso e belicoso
Sou homem belicoso, poeta e raivoso
Sou o homem-raiva
o homem-seiva
o homem-substrato
Me dinamito todos os dias,
toda manhã,
e toda noite.
Não durmo,
Não fumo,
E não bebo.
Se pudesse, morderia pedras,
socaria muros,
e gotejaria poesia ao invés de suor.
22.08.2006
Primeira Galáxia Poética
Um anel para dois unir
Dois anéis para a todos esclarecer
Um anel para exibir
Um anel para mostrar
Dois anéis se entrelaçam em um
Um anel explica o outro
Um anel para amar
Um anel para ser amado
Um anel para só não ficar
Dois anéis que são um
Dois anéis para que só não se fique
Dois anéis para uma vida
Dois anéis para duas vidas
Um anel que é dois
Dois anéis o destino quer
Dois anéis se desviam
Um anel que é dois
Dois anéis que são um
Um anel que é um
Dois anéis que não se entrelaçam
31.07.2006
A poesia pode começar com as batidas do coração....
É um potencial poético gigantesco, imenso e disforme, precisando de harmonização, dilapidação, para ser colocado em forma de poesia.
A poesia pode começar com as batidas do coração....
As batidas do meu coração se confundem com o tiquetaquear do relógio. Somos um só, por momentos, nos confundimos.
Não sei se tenho um relógio no peito, ou se existe um coração pulsante sobre a escrivaninha.
Só escuto e sinto seus pulsares e suas batidas. Só sei que isso é poesia em estado bruto!
É poesia latente, potencial e pulsante; são jorros poéticos torrenciais e ininterruptos, a postos para serem “pegos” pelos poetas e transformados em poesias sentidas, pensadas, dilapidadas, cerebralmente montadas, harmonizadas e eternizadas...
14 novembro 2006
Primeira Galáxia Poética
Intitulei o volume encadernado com as 14 poesias registradas, como Primeira Galáxia Poética.
Três delas já foram postadas:
Do Olhar da Primavera
A Existência do Azul
Egoísmo
Bom, agora, vamos às outras:
O NASCIMENTO DA POESIA
...E das entranhas do papel, brotou a poesia...
Da latente semente, foi se expandindo a idéia,
tingindo o papel, foi se mostrando a palavra,
linha por linha, foi se registrando o sentimento...
Umas por sobre as outras, tingidas páginas foram se acomodando.
Unidas por cola e linha, batizaram a poesia!
O poeta nesse instante,
Febril e distante,
Do mundo das idéias, desceu à terra....
Pousou no jardim dos brotos de papel,
colheu a poesia,
folheou suas pétalas,
aspirou seu aroma,
escutou sua voz...
e a distribuiu pelo mundo!
Ago./2006
31 outubro 2006
Poesias Selecionadas
Vamos lá:
Para que ao mesmo tempo possa estar comigo
Quero ir toda você
Quero encontrar vossos mistérios nesse desejo coibido
Quero fugir em ti
Quero partir em seu colo
Compor em seus olhos
Ter a audácia de te desenhar em mim
Quero me alimentar de seu andar
E de noite te suplicar
Para que cante as ilusões de nosso quarto de cetim
30 outubro 2006
A Dor do Poeta e a Gênese Poética
Me identifiquei de imediato com o personagem, pois nessa mesma semana em que a li, estava pensando que, sem problemas; sem principalmente, os dilemas da alma e da mente, não existe, de certa forma, a criação poética.
Essa crônica então, veio justamente corroborar minhas idéias a respeito.
Estava pensando, tenho criado várias poesias ultimamente (elas ainda não foram postadas aqui no blog...mas, calma logo serão colocadas aqui..rsrs...), que, se eu não estivesse sentindo minhas “dorzinhas”, eu não teria poesias para escrever! E, assim, não são de todo más, as dores, pois, além de me fazer poeta, as mesmas vão sendo minimizadas, vão sendo abrandadas, conforme eu as vou transformando em poesia.
Mas, não é minha intenção fazer apologia à dor, ao sofrimento; de maneira alguma! Estamos aqui falando, como a crônica, de “dorzinhas” da alma, nada trágico ou doloroso em excesso, apenas aquelas dores, nossas ou dos outros, que, mesmo sem tragicidade, incomodam, atrapalham, frustram e não nos deixam seguir o curso desejado de nossas vidas - mas que rendem boas poesias!
http://www.gazetaderibeirao.com.br/conteudo/mostra_noticia.asp?noticia=1469802&area=92010&authent=2A249A89115113A09EA222B2DBA998
26 outubro 2006
Poesia Élfica
Namárië
Ai! Laurie lantar lassi súrinen;
yéni únótimë ve rámar aldaron!
Yéni ve lintë yuldar avániermi
oromardi lissë-miruvóreva
Andúnë pella, Vardo tellumar;
nu luini yassen tintilar i eleni
ómaryo airetári-lírinen.
Sí man i yulma nin enquantuva? (essa parte é muito boa!)
An sí Tintallë Varda Oiolossëo
ve fanyar máryat Elentári ortanë from Mount
arilyë tier undulávë lumbulëar
sindanóriello caita mornië
i falmalinnar imbë met,
ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
Nai elyë hiruva! Namárië!
Namárië é o maior texto em Quenya em O Senhor dos Anéis. Junto com o poema Markirya, é o principal exemplo de um texto em Quenya "maduro" ou no estilo Senhor dos Anéis. Entre os estudantes de élfico, a canção é quase que invariavelmente chamada de Namárië, "Adeus", este sendo o título que Tolkien usou para ele em The Road Goes Ever On. Contudo, ele também é conhecida como Lamento de Galadriel, ou "Namárie, Alteriello Nainië Lóriendesse", "O lamento de Galadriel em Lórien." (Wikipedia)
Bem agora, a tradução, é claro né! (inglês e português)
Ai! laurië lantar lassi súrinen,
Ah! like gold fall the leaves in the wind,
Ai, como ouro caem as folhas ao vento,
yéni únótimë ve rámar aldaron!
long years numberless as the wings of trees!
longos anos inumeráveis como as asas das árvores!
Yéni ve lintë yuldar avánier T
he long years have passed like swift draughts
Os longos anos se passaram como goles rápidos
mi oromardi lissë-miruvóreva
of the sweet mead in lofty halls
do doce hidromel em salões altos
Andúnë pella, Vardo tellumar
Beyond the West, beneath the blue vaults of Varda
Além do Oeste, sob as abóbadas azuis de Varda
nu luini yassen tintilar i eleni
wherein the stars tremble
onde as estrelas tremem
ómaryo airetári-lírinen.
in the voice of her song, holy and queenly.
na canção de sua voz, de santa e rainha.
Sí man i yulma nin enquantuva?
Who now shall refill the cup for me?
Quem agora há de encher-me a taça outra vez? (adoro essa parte)
An sí Tintallë Varda Oiolossëo
For now the Kindler, Varda, the Queen of the stars,
Pois agora a Inflamadora, Varda, a rainha das Estrelas,
ve fanyar máryat Elentári ortanë
from Mount Everwhite has uplifted her hands like clouds
do Monte sempre branco ergueu suas mãos como nuvens,
arilyë tier undulávë lumbulë
and all paths are drowned deep in shadow;
e todos os caminhos mergulharam fundo nas trevas;
ar sindanóriello caita mornië
and out of a grey country darkness lies
e de uma terra cinzenta a escuridão se deita
i falmalinnar imbë met,
on the foaming waves between us,
sobre as ondas espumantes entre nós,
ar hísië untúpa Calaciryo míri oialë.
and mist covers the jewels of Calacirya for ever.
e a névoa cobre as jóias de Calacirya para sempre.
Sí vanwa ná, Rómello vanwa, Valimar!
Now lost, lost to those of the East is Valimar!
Agora perdida, perdida para aqueles do Leste está Valimar!
Namárië! Nai hiruvalyë Valimar!
Farewell! Maybe thou shalt find Valimar!
Adeus! Talvez hajas de encontrar Valimar.
Nai elyë hiruva! Namárië!
Maybe even thou shalt find it! Farewell!
Talvez tu mesmo hajas de encontrá-la. Adeus!
25 outubro 2006
Viajando por Lórien
Bem, vamos lá. Explicarei meu nick e o nome do meu Blog:
Sou apaixonada pelo Senhor dos Anéis e Lórien é o nome da Floresta aonde vive Galadriel, a senhora de Lórien.
Wikipedia:
Lothlórien na língua Sindarin equivale à palavra Quenya Lórien. Lórien é o nome das Terras onde vivem Lady Galadriel e Celeborn na Terra-média. Lá crescem os famosos Mallorns e as flores Elanor. O local fica entre os Rios Anduin e Celebrant. Seu nome em Sindarin é Lothlórien, derivado do prefixo Loth, flor.
Lórien ou Lothlórien é um lugar maravilhoso, preservado da maldade de Sauron, que, na época de Frodo dominava a Terramédia.
Galadriel, a senhora de Lórien tem o poder de manter o lugar protegido, com sua sabedoria e bondade.
Sobre comer chocolates em Lórien, é uma brincadeira minha, pois gosto muito do chocolate sensação de morango, por isso essa junção de Lórien com chocolate!
Duas coisas muito boas! rsrsrsrsr....
Ah, outra coisa maravilhosa é a própria Galadriel:
Galadriel é filha de Finarfin e irmã de Finrod Felagund; quando nasceu, seu pai a chamou de Artanis, mas sua mãe deu o nome de Nerwen ("Donzela-homem"). O nome que ela adotou foi o que seu marido lhe deu, Galadriel, que é uma tradução do nome telerin Alatáriel.
Estava entre os líderes da rebelião noldorin contra os Valar. Na Terra-média ela adquiriu muito conhecimento com Melian. Desposou Celeborn de Doriath e com ele permaneceu na Terra-média até o final da Terceira Era. Guardiã de Nenya, o Anel de Água, em Lothlórien.
Fundou o Conselho Branco. Governou junto com Celeborn o reino elfo de Lórien, um dos refúgios élficos na Terceira Era graças ao poder do Anel Nenya. Era a mais poderosa e bela entre os Elfos que restavam na Terra-Média. Depois da destruição do Um Anel, o poder do Anel Nenya se extingüiu e ela partiu da Terra-média.
(Wikipedia)
Bom, é isso, fizemos uma pequena viagem pelo mundo de Lórien!
Poesias do meu amigo Pedro
Beijos Pedroca, sua "musa" aqui adorou as poesias! (metida eu! rsrs....)
São de 2005.
teu corpo esquio
tua pele clara
meu olhar não desvio
sinto o coração palpitar
_______________________________________________________
uma flor que meu olhos anseiam por ver
uma voz que entorpece meu viver
ah! se teus lábios eu pudesse tocar
o sabor doce que dele emana
quando te vê parece que me chama
para logo poder te beijar.
a vida é como sonhar com o tempo
esperar que ele apareça, que o teu rosto esteja ali
devaneios são principios de um caminho
________________________________________________________________
nossa, que milagre é este que surge a minha frente.
tuas palavras que agora aqui adentram
batem como suaves badaladas ao meu coração.
24 outubro 2006
Para uma pessoa que balançou meu coração.....mas que estou tentando esquecer...
Ao longe o oceano azul se mostra,
adornado de reluzente e límpida areia branca.
Sob o azul claro e brilhante de sua superfície,
esconde-se...
a sua complexidade.
O seu mais profundo e puro azul!
Vidas o habitam, tesouros e segredos...
Atlântidos conhecimentos,
Submersos...
Mas que à tona se mostram,
Para quem os consegue enxergar,
Para quem os consegue entender.
E descobrir...
Seus intrincados mecanismos de existência,
e sua doce sede de amor!
Que transmuta seu sal em mel,
E suas lágrimas (quando elas às vezes surgem),
na espuma das ondas que se quebram na areia...
Completando oniricamente a paisagem,
Invadindo o espírito daqueles que o amam,
Inspirando poetas, e perpetuando a sua existência,
Nos corações daqueles que um dia o conheceram.
Clarice
A lembrança de minha descoberta está associada a um texto que não tenho certeza de que seja mesmo de sua autoria, mas todas as vezes que tento me recordar de meu primeiro contato com ela lembro-me desse texto, o qual mencionava um telefone vermelho e constava do livro de português que usávamos em aula.
Já tinha ouvido falar dela, claro, entretanto não havia lido nenhum texto seu. Já tinha ouvido minha mãe e minhas tias dizendo que ela era uma escritora de escritos difíceis e amargos.
Minha curiosidade sobre ela me levou à minúscula Biblioteca da Escola que, na verdade, nem biblioteca era, mas sim um pequeno depósito de livros. Apesar disso, tinha um charme romântico, com os raios solares entrando pelo pequeno vitrô e descortinando-se por entre as estantes repletas de literatura.
Ao lembrar-me de Clarice, vêm-me à mente tal cena nessa “bibliotequinha” escolar, onde meu amor por ela surgiu. O primeiro livro que encontrei dela nessa biblioteca foi "A Legião Estrangeira" - paixão absoluta!
Eu!
10 outubro 2006
Rilke e Gênese Poética (T.S. Eliot tb)
Acho fantástico!!!!!
Quero um dia poder escrever assim!
Rilke me chamou a atenção qdo um dia li, por acaso, uma recomendação sua ao jovem poeta: escrever por absoluta necessidade, e não ler tratados de literatura!
Mas confesso que nada sei dele.
Li Cartas ao Jovem Poeta, ganhei de uma amiga. Gostei, mas concordo com minha amiga, um tanto quanto juvenil...(nos anseios descritos...talvez utópico demais...)mas maravilhoso qto à gênese poética. A criação poética tem um quê de anseio juvenil, pois a poesia e a criação literária são sonhos.......
Sonhos e necessidades!
O mundo estava no rosto da amada
O mundo estava no rosto da amada
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo-além.
Por que não o bebi quando o encontrei
no rosto amado, um mundo à mão, ali,
aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.
Mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.
Rainer Maria Rilke
Puxando o gancho:
"A poesia não é uma liberação da emoção, mas uma fuga da emoção; não é a expressão da personalidade, mas uma fuga da personalidade. Naturalmente, porém, apenas aqueles que têm personalidade e emoções sabem o que significa querer escapar dessas coisas." T.S.Eliot
O que me dizem dessa maravilha?????????????????????
Poesia é isso, isso é gênese poética pura!
